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Motoboy Próprio ou Terceiro: Quanto Custa o Entregador no Delivery
O entregador fixo costuma compensar quando o volume diário passa do ponto de equilíbrio contra a corrida avulsa: custo do dia ÷ valor da corrida. No exemplo hipotético deste guia, R$ 180 por dia contra R$ 9 por corrida dá 20 entregas por dia. Abaixo disso, a corrida avulsa sai mais barata.
Quanto custa um motoboy no delivery?
O custo depende do modelo, e cada modelo cobra de um jeito: o fixo cobra por dia (ou por mês), mesmo com a loja vazia; a diária cobra por turno trabalhado; a corrida avulsa cobra por entrega feita. Por isso a comparação justa é o custo por entrega, que varia com o volume do dia.
Este guia monta uma conta com números de exemplo, ensina a achar o ponto de equilíbrio e mostra o que o pede.me registra e o que ele não faz. Para o desenho da taxa que o cliente paga, o assunto vizinho é taxa de entrega por bairro ou km. Para o panorama de montar a operação, veja como montar delivery próprio. Aqui o foco é outro: quanto custa o entregador e quando cada formato compensa.
Quais são as três formas de ter entregador?
| Modelo | Como se paga | Quem arca com moto e combustível | Ponto forte | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|---|
| Fixo (CLT ou contratado) | Salário mensal ou valor fixo, mais o que a relação exigir | Combinado entre as partes | Está lá na hora do pico e conhece a região | Custo corre mesmo no dia fraco |
| Diarista autônomo | Valor por turno trabalhado | Em geral o próprio entregador, se combinado | Paga só nos dias em que chama | Se vira rotina com horário e ordens, pode ser tratado como vínculo |
| Corrida avulsa ou plataforma | Valor por entrega feita | O prestador | Custo zero quando não há pedido | Menos controle de quem chega à porta e de quando chega |
O formato certo muda com o tamanho da operação. Quem está começando pode testar com corrida avulsa e migrar quando o volume justificar, como descrito em como montar delivery próprio. Quem nem quer entregar pode usar a retirada por Uber, 99 ou motoboy do cliente, que não gera custo de entregador para a loja.
O que a lei diz sobre motoboy? (fontes oficiais)
Antes da conta, um recorte legal, apenas com o que está em fonte oficial consultada em 14/10/2026. É informação geral, e o seu caso é individual: confirme com seu contador.
- Profissão e regras de segurança. A Lei 12.009/2009 (Planalto) regulamenta a atividade dos profissionais em entrega de mercadorias com motocicleta (o motoboy). No texto original, o art. 2º exige idade mínima de 21 anos, habilitação na categoria A por pelo menos 2 anos, curso especializado e colete de segurança com dispositivos retrorrefletivos. A lei pode ter sido alterada por norma posterior, então confirme a redação em vigor no site do Planalto antes de contratar.
- Quem contrata responde. O art. 6º da mesma lei diz que a pessoa ou empresa que emprega ou firma contrato de prestação continuada de serviço com condutor de moto-frete é responsável solidária por danos cíveis decorrentes do descumprimento das normas da atividade e da profissão. O art. 7º considera infração empregar ou manter contrato de prestação continuada com condutor inabilitado legalmente.
- Periculosidade. A CLT, art. 193, § 4º, incluído pela Lei 12.997/2014, considera perigosas as atividades de trabalhador em motocicleta. O § 1º prevê adicional de 30% sobre o salário, sem os acréscimos de gratificações, prêmios ou participação nos lucros. Isso se refere ao empregado.
- MEI. O Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, publicado pela Receita Federal, lista "motoboy independente" (CNAE 5320-2/02, serviços de entrega rápida) entre as ocupações permitidas ao MEI. A Lei Complementar 123/2006, art. 18-A, § 1º, fixa o limite de receita bruta anual do MEI em R$ 81.000,00, no texto consultado; confirme o limite atual com o contador.
O que esses textos não resolvem é a pergunta decisiva: aquela relação é emprego ou prestação de serviço? Isso depende de como o trabalho acontece na prática, e a resposta é do seu contador ou advogado trabalhista, não de um blog.
Qual é a conta por entrega nos três modelos? (exemplo hipotético)
Os números abaixo são exemplo hipotético, escolhidos para a conta ser fácil de acompanhar. Troque pelos seus valores. Em particular, o percentual de encargos é uma estimativa inventada para o exemplo: o valor real vem do seu contador.
Entregador fixo, custo mensal (exemplo hipotético):
- Salário: R$ 1.800,00.
- Adicional de periculosidade de 30%: 0,30 × 1.800 = R$ 540,00.
- Remuneração com adicional: 1.800 + 540 = R$ 2.340,00.
- Provisão para encargos, férias e 13º, estimada em 60% da remuneração: 0,60 × 2.340 = R$ 1.404,00.
- Combustível e manutenção da moto, pagos pela loja: R$ 756,00.
- Total: 2.340 + 1.404 + 756 = R$ 4.500,00 por mês.
Com a loja aberta 25 dias no mês (exemplo hipotético), o custo do dia é 4.500 ÷ 25 = R$ 180,00, com ou sem pedido.
Diarista autônomo (exemplo hipotético): R$ 110,00 por turno, com moto e combustível por conta dele. Em 25 dias: 110 × 25 = R$ 2.750,00. Só se paga o turno chamado.
Corrida avulsa (exemplo hipotético): R$ 9,00 por entrega. Não há custo quando não há pedido.
Agora o custo por entrega conforme o volume do dia:
| Entregas por dia | Fixo (R$ 180,00 ÷ entregas) | Diária (R$ 110,00 ÷ entregas) | Corrida avulsa |
|---|---|---|---|
| 8 | R$ 22,50 | R$ 13,75 | R$ 9,00 |
| 10 | R$ 18,00 | R$ 11,00 | R$ 9,00 |
| 12 | R$ 15,00 | R$ 9,17 | R$ 9,00 |
| 13 | R$ 13,85 | R$ 8,46 | R$ 9,00 |
| 15 | R$ 12,00 | R$ 7,33 | R$ 9,00 |
| 20 | R$ 9,00 | R$ 5,50 | R$ 9,00 |
| 25 | R$ 7,20 | R$ 4,40 | R$ 9,00 |
Como ler: com 10 entregas por dia, o fixo custa 180 ÷ 10 = R$ 18,00 por entrega, a diária custa 110 ÷ 10 = R$ 11,00 e a corrida custa R$ 9,00. Com 25 entregas, o fixo cai para 180 ÷ 25 = R$ 7,20, abaixo da corrida.
A partir de quantas entregas por dia o entregador fixo compensa?
O fixo compensa, frente à corrida avulsa, quando o custo por entrega dele fica abaixo do valor da corrida. A fórmula:
Ponto de equilíbrio = custo do dia do entregador ÷ valor da corrida avulsa
No exemplo hipotético: 180 ÷ 9 = 20 entregas por dia. Com exatamente 20, os dois custam o mesmo (20 × 9 = R$ 180,00). Abaixo de 20, a corrida avulsa sai mais barata; acima, o fixo.
Contra a diária, a conta é parecida: 110 ÷ 9 = 12,2. Em 12 entregas por dia, a corrida soma R$ 108,00, menos que a diária de R$ 110,00. Em 13, soma R$ 117,00, e a diária passa a ganhar. O ponto de equilíbrio da diária é, portanto, 13 entregas por dia.
Duas leituras que a tabela não mostra, mas que a conta pede:
- O fixo não vence a diária só pelo custo. No exemplo, o dia do fixo (R$ 180,00) é maior que o da diária (R$ 110,00) em qualquer volume. O que o fixo oferece é outra coisa: disponibilidade garantida no horário de pico e menor risco de a relação ser questionada. Esse peso é do seu caso, e a decisão é com o contador.
- Capacidade tem teto. Um entregador faz um número limitado de entregas por turno, e esse número depende de distância, trânsito e do tempo de espera na cozinha. Se o pico passa da capacidade, não adianta o custo por entrega cair: o pedido atrasa. Para organizar o pico, veja como organizar a fila de pedidos no delivery.
Quanto sobra para a loja depois de cobrar a taxa de entrega?
O que importa no fim é a diferença entre o custo da entrega e a taxa que o cliente paga. Exemplo hipotético: taxa média de R$ 6,00 por entrega, 15 entregas por dia, 25 dias no mês, ou seja, 15 × 25 = 375 entregas.
| Modelo | Custo por entrega | Custo no mês | Taxa recebida (375 × R$ 6,00) | Parte que a loja absorve |
|---|---|---|---|---|
| Fixo | R$ 12,00 | R$ 4.500,00 | R$ 2.250,00 | R$ 2.250,00 |
| Diária | R$ 7,33 | R$ 2.750,00 | R$ 2.250,00 | R$ 500,00 |
| Corrida avulsa | R$ 9,00 | R$ 3.375,00 | R$ 2.250,00 | R$ 1.125,00 |
A tabela mostra que, a 15 entregas por dia, o fixo é o modelo que mais pesa. A conta também mostra a alavanca do fixo: aumentar o volume. A 25 entregas por dia, o custo por entrega do fixo cai para R$ 7,20, e a loja absorve só R$ 1,20 por entrega (7,20 − 6,00). Como definir a taxa que o cliente paga, por bairro ou por km, está em taxa de entrega por bairro ou km. Para levar o custo da entrega ao preço do prato, use preço de venda no delivery com taxa e embalagem.
Como decidir passo a passo?
- Conte as entregas. Pegue 30 dias de pedidos de entrega e calcule a média por dia, separando dias fracos e dias de pico.
- Descubra o valor da corrida. Peça o preço por corrida a quem atende a sua região, por faixa de distância.
- Calcule o custo do dia do fixo com ajuda do contador, incluindo o que a relação exige. A estimativa de encargos do exemplo (60%) não vale para o seu caso.
- Ache o ponto de equilíbrio: custo do dia ÷ valor da corrida.
- Compare com a sua média. Média abaixo do ponto de equilíbrio: a corrida ou a diária tende a custar menos. Média acima, de forma estável: o fixo merece a conta completa.
- Teste antes de fechar. Rode 30 dias no modelo escolhido e meça o custo por entrega real, o tempo de entrega e as reclamações. Só então formalize.
- Considere o modelo misto: fixo para a base do dia e avulso para os picos.
O que o pede.me faz e o que NÃO faz com o entregador?
O pede.me organiza a conta e a operação da entrega. Não é folha de pagamento nem mexe com o dinheiro do entregador. O que existe hoje:
O que o pede.me faz:
- Cadastro manual de entregador, com nome e WhatsApp opcional, e um link pessoal para ele. Está incluído no plano grátis.
- Atribuição do pedido a um entregador, na tela de pedidos de entrega, escolhendo o nome na lista de entregadores ativos.
- Regra de ganho da loja, em Configurações, na seção Pagamento do entregador: taxa inteira, percentual da taxa ou valor fixo por entrega. Exemplo hipotético: taxa de R$ 8,00 com 75% dá R$ 6,00 ao entregador. A parte dele fica registrada no momento em que o pedido é atribuído.
- Regra própria por entregador, no plano Pro (R$ 49,90/mês): cada um pode ganhar diferente do padrão da loja. Sem o Pro, vale a regra da loja.
- Saldo a pagar e registro do pagamento. A tela de Entregadores mostra quanto cada um ganhou nas entregas concluídas, quanto já foi pago e o saldo. O botão "Marcar pago" registra o pagamento. O dinheiro em si é pago por você, por fora.
- Tela do entregador, pelo link pessoal: saldo, entregas de agora, a taxa dele em cada entrega, o valor a receber do cliente na porta (maquininha, dinheiro com troco, ou "já pago"), botões para abrir a rota no Waze ou no Google Maps e a confirmação da entrega pelo código que o cliente informa. Se a loja desligar o código, o entregador confirma com um toque em "Entregue".
- No plano Pro: o entregador pode compartilhar a localização, o cliente acompanha a moto no mapa e os dois conversam por chat. Também no Pro, o convite de entregadores com conta própria, por código, com o rótulo "da casa" ou "avulso" em cada vínculo.
O que o pede.me NÃO faz:
- Não calcula salário, diária, encargos, periculosidade, férias ou 13º. Não emite contrato, recibo ou folha.
- Não paga o entregador e não move dinheiro: só registra o que você informou ter pago.
- O saldo do entregador sai da taxa de entrega de cada pedido. Se você paga diária ou salário fixo, essa parte fica fora do saldo do sistema e precisa de controle à parte.
- O rótulo "da casa" ou "avulso" organiza a lista. Não define se a relação é emprego ou prestação de serviço.
- Não chama motoboy de plataforma por você nem despacha automaticamente.
- Não avisa o entregador por WhatsApp de forma automática. O restaurante pode enviar os dados do pedido ao entregador pelo botão "enviar ao entregador", que abre o WhatsApp.
O plano grátis é grátis de verdade e sem comissão; o cadastro do entregador, a atribuição, o saldo e a tela dele estão nele. O que o Pro acrescenta está em /pro.
Quais erros fazem o custo do entregador explodir?
- Comparar só o salário. O custo real do fixo inclui adicional, encargos, combustível e manutenção, como na conta acima. Quem olha só o salário subestima o custo do dia.
- Contratar fixo com volume de teste. Se a média está abaixo do ponto de equilíbrio, o custo por entrega só sobe nos dias fracos.
- Tratar diária como solução definitiva sem avaliar o vínculo. O art. 6º da Lei 12.009/2009 responsabiliza quem contrata de forma continuada em caso de descumprimento das normas da atividade. Confirme com o contador antes de transformar a diária em rotina.
- Absorver a entrega sem saber. Se o custo por entrega passa da taxa, a diferença sai da margem. A tabela de taxa recebida e custo mostra o tamanho disso. Se a sua operação depende de marketplace para a entrega, compare com a conta de iFood ou delivery próprio: vale ter os dois.
Por onde começar?
Junte 30 dias de pedidos de entrega, calcule a média diária, levante o valor da corrida na sua região, peça ao contador o custo do dia de um fixo e compare com o ponto de equilíbrio. Depois cadastre os entregadores no pede.me, atribua cada pedido a um deles e acompanhe o saldo.
Se ainda não tem cardápio no ar, crie o seu em app.pede.me/signup: o plano grátis tem link próprio, pedidos sem limite e sem comissão.
Perguntas frequentes
O ponto de equilíbrio é o custo do dia do entregador fixo dividido pelo valor de uma corrida avulsa. No exemplo hipotético deste artigo, R$ 180,00 por dia ÷ R$ 9,00 por corrida = 20 entregas por dia. Com o seu custo e o valor da corrida da sua cidade, o número muda: refaça a conta com os seus valores.
No papel, costuma ser, porque a diária não carrega encargos. No exemplo hipotético, R$ 110,00 por dia contra R$ 180,00 do fixo. Só que a diária repetida todo dia, com horário e ordens da loja, pode ser tratada como vínculo de emprego. Esse é um caso individual: confirme com seu contador ou advogado trabalhista antes de decidir.
Conforme o Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, publicado pela Receita Federal e consultado em 14/10/2026, a ocupação "motoboy independente" (CNAE 5320-2/02, serviços de entrega rápida) consta entre as permitidas ao MEI. Se ele trabalha como MEI ou como empregado depende de como a relação funciona na prática. Confirme com seu contador.
A CLT, no art. 193, § 4º (incluído pela Lei 12.997/2014), considera perigosas as atividades de trabalhador em motocicleta, e o § 1º prevê adicional de 30% sobre o salário, sem os acréscimos de gratificações, prêmios ou participação nos lucros. Isso vale para empregado. Como aplicar no seu caso é assunto do seu contador.
Não. O pede.me calcula a parte do entregador em cada entrega, a partir da taxa de entrega (taxa inteira, percentual da taxa ou valor fixo por entrega), mostra o saldo a pagar e deixa você registrar o pagamento. O dinheiro é pago por fora, por você. Não há folha, salário, diária, encargos nem contrato no sistema.
Dá, e é um arranjo comum: o fixo cobre o volume do dia a dia e o avulso entra nos picos. No pede.me é possível cadastrar vários entregadores, atribuir cada pedido a um deles e definir uma regra de ganho própria para cada um no plano Pro (R$ 49,90/mês). O rótulo "da casa" ou "avulso" do sistema serve para organizar a lista e não define vínculo trabalhista.