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Preço de Venda no Delivery: Como Calcular Já Descontando Taxa, Embalagem e Entrega

O preço de venda no delivery sai do cálculo por dentro: custo do pedido dividido por 1 menos a margem e as taxas. Num exemplo, um lanche de R$ 14,50 de custo vira R$ 20,14 com margem de 25% e taxa de pagamento de 3%. Vender a R$ 16 deixaria só 6,4% de margem.

Por que o preço do salão não serve no delivery?

O preço do salão foi pensado para um pedido que não tem caixa de papelão, não tem sacola e, muitas vezes, não tem corrida de moto. No delivery, o mesmo prato ganha três custos que ninguém lembra de somar: a embalagem, a taxa da forma de pagamento e a entrega. Se o preço continua o mesmo, a margem encolhe sem aviso.

Vamos usar um exemplo, todo com números hipotéticos, que você deve trocar pelos seus. Um lanche tem R$ 12,00 de insumo. Você calculou o preço do salão com margem de 25% sobre o insumo: 12,00 ÷ 0,75 = R$ 16,00. No delivery, esse lanche sai numa caixa e numa sacola, que custam R$ 2,50 no total, e o pagamento carrega uma taxa de exemplo de 3%.

  • Custo do pedido: 12,00 + 2,50 = R$ 14,50.
  • Taxa de 3% sobre R$ 16,00: R$ 0,48.
  • Sobra: 16,00 − 14,50 − 0,48 = R$ 1,02, ou 6,4% do preço.

A margem que você planejou era 25%. Entregou 6,4%. Para entender como chegar ao custo do insumo e ao CMV (custo da mercadoria vendida), o artigo CMV de restaurante: como calcular no delivery mostra o passo a passo. E a conta básica de custo e margem do prato está em como precificar prato de restaurante. Aqui o foco é o que só existe no delivery.

Como calcular o preço por dentro, já com taxa e margem?

A conta por dentro é a única que fecha, porque taxa e margem são percentuais do preço de venda, não do custo. A fórmula:

Preço = custo do pedido ÷ (1 − margem − taxas)

Com o nosso exemplo (custo de R$ 14,50, margem de 25%, taxa de pagamento de 3%):

  1. Some os percentuais que saem do preço: 0,25 + 0,03 = 0,28.
  2. Calcule o que sobra para o custo: 1 − 0,28 = 0,72.
  3. Divida: 14,50 ÷ 0,72 = R$ 20,14.

Conferência: 3% de 20,14 é R$ 0,60 de taxa. Sobram 20,14 − 14,50 − 0,60 = R$ 5,04, que é 25% do preço. A conta fechou.

O erro clássico é fazer "por fora": pegar o custo e multiplicar por 1,28 (25% de margem mais 3% de taxa). Dá 14,50 × 1,28 = R$ 18,56. Parece certo, mas a taxa de 3% incide sobre R$ 18,56, e a margem real vira 18,9%, não 25%. A diferença de R$ 1,58 por pedido (20,14 − 18,56) parece pequena, até você multiplicar pelos pedidos do mês.

Como foi calculadoPreçoMargem real
Preço do salão (só sobre o insumo)R$ 16,006,4%
Por fora (custo × 1,28)R$ 18,5618,9%
Por dentro (custo ÷ 0,72)R$ 20,1425,0%

Todos os valores são de exemplo. A margem real é a sobra depois de custo e taxa, dividida pelo preço.

A embalagem entra no preço do prato ou do pedido?

Entra como custo do pedido, e não só do prato. A embalagem não depende do que o cliente comprou, depende de como o pedido vai sair: uma caixa, uma sacola, o talher, o guardanapo, o lacre. Para itens que têm embalagem própria (um copo de açaí, por exemplo), o custo fica no item.

Monte uma lista simples com o custo unitário de cada peça, usando o que você realmente compra:

Peça (exemplo)Custo
Caixa do lancheR$ 1,50
SacolaR$ 0,35
Talher e guardanapoR$ 0,25
Lacre ou adesivoR$ 0,40
Total por pedidoR$ 2,50

Conferência: 1,50 + 0,35 + 0,25 + 0,40 = R$ 2,50. Em 600 pedidos no mês, são R$ 1.500 de embalagem (600 × 2,50). Esse valor tem que estar dentro do preço, e não na conta de "despesas gerais" que ninguém revisa.

Duas formas de tratar: embutir a embalagem no preço de todos os itens, ou cobrar uma linha separada de "embalagem". A primeira é simples para o cliente. A segunda é mais transparente, mas pode irritar quem pede um item só. Escolha uma e mantenha.

Como a taxa de pagamento entra no preço?

A taxa de pagamento muda conforme a forma que o cliente escolhe, e você só sabe qual é depois do pedido. Para precificar, use a taxa média ponderada do seu mês: quanto você pagou de taxa, dividido pelo total vendido. A taxa de 3% do nosso exemplo é só um número ilustrativo, e a sua depende do contrato da maquininha e do mix de formas de pagamento.

O comparativo completo, forma por forma, está em taxa do cartão x PIX: quanto o delivery perde. Para o preço, a regra é simples: pegue a taxa efetiva do último mês (taxas pagas ÷ vendas) e use na fórmula. Se a sua taxa efetiva subir, o preço precisa ser revisto.

Entrega: cobrar do cliente ou absorver?

O custo da corrida é do pedido, e a decisão é de quem paga. No exemplo, imagine uma corrida de R$ 6,00 (hipotético). Se você absorve e o preço é de R$ 20,14, a sobra de R$ 5,04 (antes de arredondar) vira 5,04 − 6,00 = prejuízo de R$ 0,96 por entrega. Cada pedido entregue custa dinheiro.

Três caminhos:

  1. Cobrar a corrida inteira. O cliente paga R$ 6,00 de frete e a entrega fica neutra. Lembre que, se o frete vai no mesmo pagamento, a taxa de cartão também incide sobre ele: 3% de R$ 6,00 são R$ 0,18.
  2. Cobrar parte. Você subsidia uma faixa de bairros próximos para ganhar volume e cobra o custo real dos mais longes.
  3. Frete grátis acima de um valor. A conta fecha se a margem do pedido mínimo paga a corrida. Com margem de 25%, um pedido de R$ 45 deixa 0,25 × 45 = R$ 11,25 de sobra, o que paga os R$ 6,00 e ainda deixa R$ 5,25.

Como calcular o custo de uma corrida e escolher entre bairro ou km está em taxa de entrega por bairro ou por km. Aqui basta lembrar: a entrega é parte do preço final que o cliente enxerga, e não pode ficar de fora da sua conta.

Posso ter preço diferente por canal: balcão, app e cardápio próprio?

Em termos de preço, são três lugares com custos diferentes. No balcão não há embalagem de entrega nem comissão. No cardápio próprio há embalagem e taxa de pagamento. No marketplace há embalagem, comissão e, conforme o plano, entrega.

Usando o método por dentro com uma comissão de exemplo de 20% (sem taxa de pagamento separada, supondo que a comissão já a cobre), o preço do mesmo lanche seria 14,50 ÷ (1 − 0,25 − 0,20) = 14,50 ÷ 0,55 = R$ 26,36. No cardápio próprio, R$ 20,14. A comissão real do iFood, por exemplo, varia conforme o plano, e o artigo quanto o iFood cobra de comissão mostra a faixa e a conta em reais.

Ter preços diferentes por canal é permitido? Depende do contrato do marketplace, e as cláusulas de preço não são públicas nem iguais para todos. Leia as do seu contrato e, se tiver dúvida, pergunte ao suporte da plataforma antes de mexer. Duas alternativas que não mexem em preço:

  • Manter o mesmo preço nos canais e dar uma vantagem no seu cardápio próprio, como frete grátis ou um cupom (cupom é recurso do plano Pro, R$ 49,90/mês).
  • Reduzir o catálogo do app aos itens de maior margem.

Dá para cobrar acréscimo por forma de pagamento?

Dá, com limites claros. A Lei 13.455/2017 autoriza a diferenciação de preços conforme o prazo ou o instrumento de pagamento, e o fornecedor deve informar a diferença em lugar visível. Ou seja, o cliente precisa ver antes de pagar.

No pede.me existe o acréscimo por forma de pagamento. Em Configurações, nas formas de pagamento da loja, você define um percentual de 0 a 30% para dinheiro e maquininha na entrega. No checkout, o percentual aparece no botão da forma e uma linha de acréscimo entra no resumo, com o total já somado. O servidor refaz a conta, então o valor não depende do celular do cliente.

Dois detalhes que mudam o cálculo:

  • O acréscimo incide sobre os itens, já com o desconto de cupom, e não sobre a taxa de entrega.
  • Ele não vale no pagamento online (PIX e cartão online do cardápio), onde a taxa é do gateway, a empresa que cobra em nome da loja.

Exemplo: itens de R$ 20,14 com acréscimo de 4% na maquininha somam 0,04 × 20,14 = R$ 0,81 (arredondado), e o cliente paga R$ 20,95 mais a entrega. Um ponto de partida prudente é nunca cobrar mais do que a taxa que você realmente paga. O caso do vale-refeição, que é o mais comum, está em vale-refeição no delivery sem prejuízo.

Preço terminado em 90 ajuda ou atrapalha?

Não há fonte que comprove isso, então é opinião prática: o que importa para a margem é a direção do arredondamento. Arredonde para cima. Se a conta deu R$ 20,14, cobrar R$ 20,90 deixa a sobra em 20,90 − 14,50 − 0,63 (taxa de 3%, arredondada) = R$ 5,77, ou 27,6% do preço. Arredondar para baixo, para R$ 19,90, derruba a margem: 19,90 − 14,50 − 0,60 = R$ 4,80, ou 24,1%.

Se o preço arredondado para cima assustar o cliente, a saída é cortar custo (ajustar a porção, renegociar embalagem), não baixar o preço abaixo da conta.

Como fazer promoção sem vender no prejuízo?

Antes de baixar o preço, calcule o piso: o menor preço que ainda cobre o custo do pedido e a taxa. Com custo de R$ 14,50 e taxa de 3%, o piso é 14,50 ÷ 0,97 = R$ 14,95. Qualquer preço abaixo é prejuízo em cada pedido.

Uma promoção de R$ 17,90 (exemplo) fica assim: taxa de 0,03 × 17,90 = R$ 0,54 (arredondado), e a sobra é 17,90 − 14,50 − 0,54 = R$ 2,86, ou 16,0% do preço. Dá lucro, mas com uma margem bem abaixo dos 25% planejados. Por isso a promoção precisa ter limite.

O pede.me tem o preço promocional programado, do plano Pro (R$ 49,90/mês): no produto, você liga a promoção, define o preço, os dias da semana, o horário e, se quiser, o período. Dentro da janela o cardápio mostra o preço normal riscado e o selo de promoção, e fora dela volta ao normal sozinho. O servidor cobra o preço da hora do pedido. Para produto com tamanhos, a promoção ainda não vale.

Como a promoção e o cupom podem se acumular, confira o preço final dos dois juntos. O passo a passo das regras de desconto está em cupom de desconto para restaurante.

Qual o passo a passo para refazer os preços do cardápio?

  1. Liste o custo do pedido de cada item: insumo (da ficha técnica) mais embalagem.
  2. Defina a margem que o negócio precisa e a taxa efetiva de pagamento do último mês.
  3. Aplique a fórmula por dentro em cada item: custo ÷ (1 − margem − taxas).
  4. Decida a entrega: cobrar, subsidiar ou frete grátis acima de um valor, sempre com a conta do pedido mínimo.
  5. Arredonde para cima, nunca para baixo.
  6. Revise todo mês: insumo, embalagem e taxa mudam, e o preço precisa acompanhar.

Se você ainda vende só pelo aplicativo, vale testar um cardápio próprio para os pedidos que já são seus: no plano grátis do pede.me o cardápio é grátis para sempre, sem comissão por pedido. Dá para criar a sua loja em poucos minutos em app.pede.me/signup.

Perguntas frequentes

Porque o pedido de delivery carrega custos que o prato do salão não tem: embalagem, taxa de pagamento quando o cliente paga no cartão e, em muitos casos, a entrega. Se o preço do salão foi calculado só sobre o insumo, cada pedido de delivery vende com a margem menor do que você planejou. No exemplo do artigo, a margem cai de 25% para 6,4%.

É dividir o custo por 1 menos a soma dos percentuais que saem do preço: margem desejada e taxas. Com custo de R$ 14,50, margem de 25% e taxa de 3%, a conta é 14,50 ÷ (1 − 0,25 − 0,03) = R$ 20,14. O cálculo 'por fora', que multiplica o custo por 1,28, daria R$ 18,56 e deixaria a margem real em 18,9%.

Pode, desde que o cliente veja o preço certo antes de finalizar o pedido. No seu cardápio digital próprio, o preço que aparece é o que vale. Em marketplace, a liberdade de ter preço diferente por canal depende do contrato que você assinou, e esse contrato não é público. Leia as cláusulas de preço do seu antes de mexer.

A Lei 13.455/2017 autoriza a diferenciação de preços conforme o prazo ou o instrumento de pagamento, desde que o consumidor seja informado em lugar visível. No pede.me, o acréscimo é um percentual de 0 a 30% por forma de pagamento, vale para dinheiro e maquininha na entrega, incide sobre os itens (sem a taxa de entrega) e aparece no checkout antes de o cliente finalizar. Um ponto de partida prudente é não cobrar mais do que a taxa que você de fato paga.

O piso é o preço que cobre o custo do pedido e a taxa de pagamento. No exemplo do artigo, com custo de R$ 14,50 e taxa de 3%, o piso é 14,50 ÷ 0,97 = R$ 14,95. Abaixo disso você paga para vender. Uma promoção saudável fica acima do piso, com margem positiva e, de preferência, com limite de dia e horário.

Não temos estudo que comprove isso, então tratamos como opinião prática. O uso mais seguro é arredondar sempre para cima: se a conta deu R$ 20,14, cobrar R$ 20,90 aumenta a margem para 27,6% no exemplo. Arredondar para baixo, de R$ 20,14 para R$ 19,90, tira margem sem garantia de retorno.

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