12 min de leitura

Quanto Custa Abrir uma Lanchonete Pequena: Lista de Custos e Conta de Exemplo

O custo de abrir uma lanchonete depende da cidade, do ponto e do cardápio, então o caminho é montar o seu orçamento: custos de abertura, capital de giro e custos mensais. No exemplo hipotético deste guia, o total fecha em R$ 24.500 com salão e R$ 10.700 só com delivery.

Quanto custa abrir uma lanchonete pequena?

Não existe um número que sirva para todo mundo. O valor muda com a cidade, o aluguel do ponto, o tamanho do espaço, o que você já tem de equipamento e o tamanho do cardápio. Por isso este artigo não crava uma faixa de investimento: faixas de mercado variam muito de fonte para fonte, e um número alheio pode te levar a uma decisão errada.

O que dá para fazer é ensinar a montar o seu orçamento em três blocos:

  1. Custos de abertura: o que você paga uma vez para a loja existir.
  2. Capital de giro: a reserva que paga as contas enquanto a loja ganha clientes.
  3. Custos recorrentes: o que você paga todo mês, vendendo ou não.

Todos os valores em reais deste guia são hipotéticos, inventados só para mostrar a conta. Troque-os pelos preços de orçamento que você levantar na sua cidade.

Quais são os custos de abertura de uma lanchonete?

Esta é a lista para você cotar item por item. Nem todo item se aplica a todo caso.

Documentação e licenças. Os tipos que existem variam por município e pelo tipo de atividade, então o valor e as exigências precisam ser confirmados na sua prefeitura. De forma geral, a lista a levantar inclui:

  • formalização do negócio (CNPJ, que pode ser como MEI se a atividade permitir, ou outra forma de empresa);
  • alvará ou licença de funcionamento, emitido pela prefeitura;
  • licença sanitária, da vigilância sanitária do município;
  • curso de manipulação de alimentos, quando a prefeitura ou a vigilância exigem;
  • vistoria do Corpo de Bombeiros, em casos que a legislação local prevê;
  • conferência do uso do imóvel (se o local pode funcionar como comércio de alimentos).

Ligue ou visite a sala do empreendedor e a vigilância sanitária da sua cidade e pergunte exatamente o que cada uma exige para uma lanchonete do seu tamanho.

Equipamentos mínimos. Fogão ou chapa, geladeira, freezer, balcão refrigerado ou expositor (se for o caso), liquidificador, fritadeira, bancadas e pias adequadas. Cote também usados em bom estado: para quem começa com pouco, o equipamento usado reduz a conta sem mudar o que o cliente come.

Utensílios. Panelas, facas, tábuas, bandejas, potes, conchas, medidores e balança.

Estoque inicial. O que você compra antes de abrir para ter o que vender nos primeiros dias, incluindo ingredientes, bebidas e embalagem.

Reforma e adequação. Pintura, piso lavável, instalação elétrica e de gás, bancada, balcão, ponto de água. A vigilância sanitária pode pedir adequações específicas, então levante isso antes de fechar o contrato do ponto.

Marca e identidade. Nome, logo, adesivo na fachada ou placa, fotos do cardápio. Dá para começar simples; o importante é a foto do prato ser boa.

Sistema e cardápio digital. Aqui o custo pode ser zero: o pede.me tem um plano grátis para sempre, sem comissão sobre as vendas, com cardápio, link próprio e painel de pedidos. A página para lanchonete mostra como o cardápio fica.

Capital de giro. A reserva para os primeiros meses, que vamos calcular mais abaixo.

Quais são os custos que se repetem todo mês?

Depois de abrir, a conta passa a ser mensal. Separe em dois grupos, porque eles se comportam de forma diferente.

Custos fixos (pagos mesmo sem vender):

  • aluguel (e condomínio ou IPTU, se for o caso);
  • energia e água;
  • gás (em lanchonete, pode ser quase fixo; observe o seu consumo);
  • pessoal: salários, encargos e a retirada do dono;
  • contador e guia de imposto (por exemplo, a do MEI, se for o caso);
  • internet e telefone;
  • divulgação fixa.

Custos variáveis (crescem com a venda):

  • ingredientes e bebidas (o custo da mercadoria vendida; o artigo sobre CMV de restaurante no delivery mostra como medir);
  • embalagem;
  • taxas de cartão e de aplicativos, quando houver;
  • entrega, se você pagar o entregador por corrida e não repassar ao cliente.

A diferença importa porque o ponto de equilíbrio usa os fixos de um lado e os variáveis do outro.

Conta de exemplo: o orçamento de abertura (números hipotéticos)

Imagine uma lanchonete pequena, com um balcão e um espaço mínimo para consumo, que também faz delivery. Os valores abaixo são de exemplo, não são preços de mercado:

Item (exemplo)Valor hipotético
Documentação e licenças (reserva de exemplo; o valor real é o que o município informar)R$ 1.000
Equipamentos mínimosR$ 6.500
UtensíliosR$ 1.200
Reforma e adequaçãoR$ 2.500
Estoque inicialR$ 2.000
Marca e identidadeR$ 700
Embalagens iniciaisR$ 600
Sistema e cardápio digital (plano grátis)R$ 0
Subtotal de aberturaR$ 14.500

A soma confere: 1.000 + 6.500 + 1.200 + 2.500 + 2.000 + 700 + 600 + 0 = R$ 14.500.

Agora os custos fixos mensais do mesmo exemplo:

Custo fixo mensal (exemplo)Valor hipotético
AluguelR$ 1.800
EnergiaR$ 350
GásR$ 300
Pessoal (1 ajudante, com encargos)R$ 2.000
Contador e guia de impostoR$ 150
Internet e telefoneR$ 120
DivulgaçãoR$ 280
Total fixo por mêsR$ 5.000

Conferindo: 1.800 + 350 + 300 + 2.000 + 150 + 120 + 280 = R$ 5.000.

O capital de giro, neste exemplo, cobre 2 meses de custos fixos: 2 × R$ 5.000 = R$ 10.000. Dois meses é um ponto de partida; se o seu ponto é novo e sem movimento, pense em mais.

O orçamento total do exemplo é R$ 14.500 + R$ 10.000 = R$ 24.500. Reparou que a retirada do dono não está nos fixos? Ela entra mais adiante, porque muda o resultado.

Como calcular o ponto de equilíbrio (com exemplo)

O ponto de equilíbrio é o faturamento mínimo para a loja não perder dinheiro. A fórmula:

Ponto de equilíbrio = custos fixos ÷ margem de contribuição

A margem de contribuição é a fatia de cada real vendido que sobra depois dos custos variáveis. No exemplo (hipotético), para cada R$ 100 vendidos:

  • R$ 33 vão para ingredientes e bebidas;
  • R$ 5 vão para embalagem;
  • R$ 2 vão para taxas de cartão (média de exemplo);
  • sobram R$ 100 − 33 − 5 − 2 = R$ 60, ou seja, margem de contribuição de 60%.

Agora a conta:

  • Ponto de equilíbrio = R$ 5.000 ÷ 0,60 = R$ 8.333,33 por mês.
  • Com ticket médio de R$ 35 (exemplo): R$ 8.333,33 ÷ R$ 35 = 238,1, ou seja, 239 pedidos por mês. Conferindo: 239 × R$ 35 = R$ 8.365, acima dos R$ 8.333,33.
  • Em 26 dias de funcionamento: 239 ÷ 26 = 9,2, ou seja, cerca de 10 pedidos por dia só para empatar.

Veja o que acontece se a loja vender 400 pedidos no mês (exemplo):

  • Faturamento: 400 × R$ 35 = R$ 14.000.
  • Custos variáveis (40%): R$ 14.000 × 0,40 = R$ 5.600.
  • Margem de contribuição: R$ 14.000 − R$ 5.600 = R$ 8.400.
  • Resultado: R$ 8.400 − R$ 5.000 de custos fixos = R$ 3.400 de sobra.

Mas esse resultado ainda não pagou o dono. Se você quer retirar R$ 2.500 por mês (exemplo), os custos fixos passam a R$ 7.500, e o equilíbrio muda:

  • R$ 7.500 ÷ 0,60 = R$ 12.500 por mês;
  • R$ 12.500 ÷ R$ 35 = 357,1, ou seja, 358 pedidos. Conferindo: 358 × R$ 35 = R$ 12.530.

Com 400 pedidos e a retirada incluída, o resultado seria R$ 8.400 − R$ 7.500 = R$ 900. Em quanto tempo o investimento de abertura (sem o capital de giro) volta? R$ 14.500 ÷ R$ 900 = 16,1 meses. Sem contar a retirada, seriam R$ 14.500 ÷ R$ 3.400 = 4,3 meses. A diferença mostra por que o seu salário precisa estar na conta desde o início.

E se parte das vendas viesse de um marketplace? Com uma comissão hipotética de 20% sobre os R$ 14.000, seriam R$ 2.800 a menos na margem, o que consumiria a maior parte dos R$ 3.400 de sobra. Vender direto, por link próprio, mexe diretamente nesse resultado. O artigo de preço de venda no delivery com taxa e embalagem mostra como colocar esses custos no preço.

Como começar menor: delivery, dark kitchen e MEI

Se o orçamento acima assusta, o formato é o que muda mais a conta. Três caminhos para começar menor:

  • Só delivery, sem salão. Você elimina boa parte da reforma, mobiliário e, às vezes, a necessidade de um ponto bem localizado. O passo a passo está em como abrir um delivery sem loja física, e este artigo não repete o que ele já explica.
  • Dark kitchen ou cozinha compartilhada. Um espaço de produção sem atendimento ao público, que você pode alugar por período. Confirme o preço e as condições com quem oferece o espaço na sua região.
  • Cozinha em casa, só se for permitido. Depende da prefeitura e da vigilância sanitária do seu município, e não é aceita em todo lugar. Pergunte antes de investir. Se a sua atividade e o seu faturamento permitirem o MEI, o artigo MEI pode vender marmita e delivery explica a ocupação, o teto e a licença.

Veja o mesmo exemplo na versão enxuta (hipotética), só delivery, sem aluguel de ponto e sem ajudante:

Item (exemplo)Com salãoSó delivery
Documentação e licenças (reserva)R$ 1.000R$ 1.000
EquipamentosR$ 6.500R$ 3.500
UtensíliosR$ 1.200R$ 800
Reforma e adequaçãoR$ 2.500R$ 1.000
Estoque inicialR$ 2.000R$ 1.200
Marca e identidadeR$ 700R$ 400
Embalagens iniciaisR$ 600R$ 600
Cardápio digitalR$ 0R$ 0
Subtotal de aberturaR$ 14.500R$ 8.500
Custos fixos por mêsR$ 5.000R$ 1.100
Capital de giro (2 meses)R$ 10.000R$ 2.200
Total de aberturaR$ 24.500R$ 10.700

Conferindo a coluna da direita: 1.000 + 3.500 + 800 + 1.000 + 1.200 + 400 + 600 + 0 = R$ 8.500. Os fixos de R$ 1.100 vêm de energia (R$ 250), gás (R$ 300), contador e guia (R$ 150), internet (R$ 120) e divulgação (R$ 280): 250 + 300 + 150 + 120 + 280 = R$ 1.100. O giro é 2 × R$ 1.100 = R$ 2.200, e o total, R$ 8.500 + R$ 2.200 = R$ 10.700.

O equilíbrio cai junto: R$ 1.100 ÷ 0,60 = R$ 1.833,33 por mês, ou 53 pedidos (R$ 1.833,33 ÷ R$ 35 = 52,4; conferindo: 53 × R$ 35 = R$ 1.855), cerca de 2 por dia em 26 dias. Note que, nessa versão, o seu tempo é o "pessoal": se você quer viver só disso, inclua a sua retirada nos fixos, como fizemos antes.

Por isso vale considerar começar pelo delivery e só pensar em salão quando a demanda aparecer.

Como o cardápio digital grátis ajuda desde o primeiro dia?

Cada item da lista de abertura é um custo que você pode cortar ou adiar. O cardápio digital é um dos poucos em que a opção grátis resolve o essencial. No plano grátis do pede.me, que é grátis pra sempre e sem comissão, você tem cardápio com link próprio, painel de pedidos e taxa de entrega por bairro. Isso permite vender no dia 1 sem comprar sistema nem pagar porcentagem sobre as vendas.

O plano Pro (R$ 49,90/mês) fica para quando você precisar de relatórios, caixa e estoque. O pede.me não guarda ficha técnica nem custo de insumo: o CMV continua na planilha, como no artigo que linkamos acima.

O artigo sobre combos e adicionais para lanchonete ajuda a montar ofertas que elevam o ticket médio sem mexer na cozinha.

Quais são os erros comuns na hora de abrir?

  • Não incluir o capital de giro. O orçamento só de equipamento e reforma deixa a loja sem fôlego no primeiro mês fraco.
  • Esquecer o seu pró-labore. O lucro aparente some quando o dono entra na conta, como vimos no exemplo (R$ 3.400 virou R$ 900).
  • Calcular preço só pelo ingrediente. Embalagem, taxas e entrega entram na margem de contribuição.
  • Fechar o ponto antes de perguntar à prefeitura. Se o imóvel não pode funcionar como comércio de alimentos, o aluguel já foi pago.

Checklist antes de abrir

  1. Levante na prefeitura e na vigilância sanitária quais licenças e documentos a sua atividade exige, e quanto cada um custa.
  2. Cote equipamentos novos e usados, e anote o menor orçamento de cada item.
  3. Monte a lista de utensílios e o estoque inicial do cardápio mínimo.
  4. Pergunte o que a vigilância pede em termos de adequação do espaço.
  5. Calcule os custos fixos mensais e multiplique por 2 ou 3 para o capital de giro.
  6. Estime o CMV, a embalagem e as taxas para achar a margem de contribuição.
  7. Calcule o ponto de equilíbrio com a sua retirada incluída.
  8. Compare o formato com salão com o formato só delivery.
  9. Monte o cardápio digital antes de abrir e teste um pedido.

Para ter o seu cardápio digital no ar desde o dia 1, sem pagar mensalidade nem comissão, o cadastro é gratuito em app.pede.me/signup.

Perguntas frequentes

Não existe um valor único, porque ele muda com a cidade, o aluguel, o tamanho do espaço, o cardápio e os equipamentos que você já tem. Por isso este guia não crava uma faixa de mercado: ele mostra a lista de custos e ensina a montar o seu orçamento. No exemplo hipotético do artigo, o total foi de R$ 24.500 com salão e R$ 10.700 só com delivery, números inventados para mostrar a conta.

Capital de giro é o dinheiro reservado para pagar as contas enquanto a loja ainda não vende o suficiente para se sustentar: aluguel, energia, gás, pessoal, fornecedores. Um ponto de partida é reservar de 2 a 3 meses de custos fixos. No exemplo do artigo, foram 2 meses de R$ 5.000, ou R$ 10.000. Sem essa reserva, um mês fraco no começo pode fechar a loja.

Ponto de equilíbrio = custos fixos ÷ margem de contribuição. A margem de contribuição é o que sobra de cada R$ 1 vendido depois de tirar os custos variáveis (ingredientes, embalagem, taxas). Com custos fixos de R$ 5.000 e margem de 60% (exemplo), o equilíbrio é R$ 5.000 ÷ 0,60 = R$ 8.333,33 de vendas por mês. Abaixo disso a loja dá prejuízo.

Só se a sua prefeitura e a vigilância sanitária permitirem. As regras variam por município: em alguns casos a cozinha residencial é aceita com adequações e licença, em outros não. Antes de comprar qualquer coisa, pergunte ao órgão da sua cidade o que é exigido para produzir comida em endereço residencial e anote a resposta. Funcionar sem a licença exigida pode gerar multa e interdição.

Para vender comida de forma regular, sim, é preciso se formalizar. Muita gente começa como MEI, se a atividade estiver na lista de ocupações permitidas e o faturamento couber no teto. O tema tem regras próprias, como o limite anual e a licença sanitária do município, e está explicado no artigo sobre MEI e delivery de marmita. Converse também com um contador sobre o seu caso.

Não. O plano grátis é grátis pra sempre e sem comissão sobre as vendas: você monta o cardápio, divulga o link e recebe os pedidos no painel desde o primeiro dia. Funções extras, como relatórios de vendas, caixa e estoque, ficam no plano Pro (R$ 49,90/mês), e você só considera assinar se e quando precisar.

Monte seu cardápio digital grátis.

Sem comissão, com PIX direto na sua conta — pronto em minutos.

Criar meu cardápio grátis

Continue no assunto