13 min de leitura
Custo de Embalagem de Delivery e Como Incluir no Preço (ou Cobrar à Parte)
O custo da embalagem é a soma de tudo que sai da loja junto com o pedido: pote, tampa, sacola, guardanapo, talher, lacre e etiqueta. No exemplo hipotético deste guia, um pedido com duas marmitas gasta R$ 4,32 só nisso, e esse valor precisa estar no preço ou numa cobrança à parte.
O que entra no custo da embalagem de delivery?
Entra tudo que sai da loja junto com o pedido e que o salão não gastaria: pote ou caixa, tampa, sacola, guardanapo, talher, lacre e etiqueta. Se a peça é comprada e vai para a mão do cliente, ela é custo do pedido, e o lugar dela é dentro do preço ou numa cobrança à parte, nunca na pasta de "despesas gerais".
A lista completa, com o que costuma ser esquecido:
- Pote ou caixa: o item mais visível. Costuma variar com o tamanho da porção.
- Tampa: quando é peça separada do pote, tem custo e estoque próprios.
- Sacola: muitas lojas colocam uma por pedido, mas pedido grande pode pedir duas.
- Guardanapo: barato, mas sai em todo pedido, às vezes mais de um.
- Talher: garfo e faca, ou o kit embalado, quando o cliente precisa comer ao chegar.
- Lacre: a fita ou o adesivo que fecha a sacola e mostra que ninguém abriu.
- Etiqueta: nome, data, descrição do conteúdo ou número do pedido.
- Perda: peça que amassa, cai, sai errada ou é refeita. Parece pequena e entra como folga na conta.
Gás, fogo e tempo de quem monta o pedido são outros custos. Para o levantamento do insumo, veja ficha técnica de prato e CMV de restaurante no delivery.
Como calcular o custo da embalagem por pedido?
A conta é: para cada peça, o custo unitário multiplicado pela quantidade que sai em um pedido típico, e a soma de tudo. O custo unitário vem da compra: valor pago dividido pelas unidades do pacote. Uma caixa de 100 potes que custou R$ 90,00, por exemplo, sai a R$ 0,90 cada.
Exemplo hipotético, para trocar pelos seus números: um pedido com duas marmitas.
| Peça | Custo unitário | Quantidade no pedido | Custo no pedido |
|---|---|---|---|
| Pote | R$ 0,90 | 2 | R$ 1,80 |
| Tampa | R$ 0,40 | 2 | R$ 0,80 |
| Sacola | R$ 0,35 | 1 | R$ 0,35 |
| Guardanapo | R$ 0,10 | 2 | R$ 0,20 |
| Talher | R$ 0,45 | 2 | R$ 0,90 |
| Lacre | R$ 0,15 | 1 | R$ 0,15 |
| Etiqueta | R$ 0,12 | 1 | R$ 0,12 |
| Total por pedido | R$ 4,32 |
Conferência: 1,80 + 0,80 + 0,35 + 0,20 + 0,90 + 0,15 + 0,12 = R$ 4,32.
Com 300 pedidos no mês (hipotético), são 300 × 4,32 = R$ 1.296,00. Some uma folga para perda: 5% (também hipotética) são R$ 64,80, e o total sobe para R$ 1.360,80. Se a sua folga real é outra, use a sua: ela sai de contar quantas peças foram para o lixo ou foram refeitas num mês.
Repare: pote, tampa, talher e guardanapo crescem com o número de marmitas; sacola, lacre e etiqueta são por pedido. Isso pesa na hora de cobrar.
Qual material de embalagem escolher?
O melhor material é o que chega com a comida do jeito que saiu da cozinha, ao menor custo por pedido entregue, e não ao menor preço da peça. A escolha começa na comida, não no catálogo do fornecedor.
Perguntas que decidem, e o teste para cada uma:
| Pergunta | O que testar |
|---|---|
| Vaza? | Encher com o prato mais molhado do cardápio, fechar, deixar de lado na sacola por 30 minutos e conferir o fundo da sacola. |
| Aguenta o calor? | Servir a comida quente e fechar. A tampa deforma, a parede amolece, o vapor encharca o prato? |
| Vai ao micro-ondas? | Se o seu cliente costuma esquentar, peça ao fornecedor a informação por escrito e teste com a sua comida. |
| Cabe a porção? | Servir a porção real, não a de catálogo. Tampa que faz pressão no prato estraga a apresentação. |
| Empilha? | Colocar dois potes cheios um sobre o outro dentro da sacola e andar de moto ou carro por um trajeto conhecido. |
| Serve para alimento? | Pedir ao fornecedor a confirmação de que a embalagem é própria para contato com alimentos. |
Para o gelado, a lógica é outra e tem artigo próprio: delivery de sorvete sem derreter trata de caixa térmica, gelo e tempo máximo.
Embalagem barata sai cara?
Pode sair. O que importa é o custo por pedido que chega bom, e o defeito entra na conta. Exemplo hipotético, para 100 pedidos de uma marmita:
- Pote A, R$ 1,10 (pote mais tampa): 4 pedidos em 100 vazam. Refazer o prato e a corrida custa R$ 30,00 por falha (hipotético). Total: 100 × 1,10 + 4 × 30 = 110 + 120 = R$ 230,00, ou R$ 2,30 por pedido.
- Pote B, R$ 1,50 (pote mais tampa): 1 pedido em 100 vaza. Total: 100 × 1,50 + 1 × 30 = 150 + 30 = R$ 180,00, ou R$ 1,80 por pedido.
No exemplo, o pote mais caro custa R$ 0,50 a menos por pedido (2,30 − 1,80). Os índices de falha são inventados; os reais vêm de anotar, por um mês, quantos pedidos voltaram por vazamento ou comida estragada.
Como embutir a embalagem no preço do item?
Embutir é somar o custo da embalagem ao custo do item e rodar a fórmula do preço por dentro. É o caminho mais simples para o cliente, porque o preço que ele vê já inclui tudo. A fórmula completa e a explicação do "por dentro" estão em preço de venda no delivery com taxa e embalagem e, para o prato em si, em como precificar prato de restaurante. Aqui vai só o necessário para ver o peso da embalagem.
Exemplo hipotético: insumo de R$ 11,00 por marmita, margem de 25% e taxa de pagamento de 3%. O pedido de duas marmitas custa 22,00 + 4,32 = R$ 26,32.
- Percentuais que saem do preço: 0,25 + 0,03 = 0,28. Sobra 1 − 0,28 = 0,72.
- Preço do pedido: 26,32 ÷ 0,72 = R$ 36,56, ou R$ 18,28 por marmita.
- Sem a embalagem, o pedido seria 22,00 ÷ 0,72 = R$ 30,56. A diferença é R$ 6,00 por pedido, ou R$ 3,00 por marmita.
Conferência: a taxa de 3% sobre R$ 36,56 é R$ 1,10. A margem de 25% é R$ 9,14. Somando custo, taxa e margem: 26,32 + 1,10 + 9,14 = R$ 36,56.
Note que a embalagem de R$ 4,32 vira R$ 6,00 no preço, porque cada real do preço leva 28 centavos de taxa e margem. Quem soma a embalagem ao preço "por fora" (acrescentando R$ 4,32) fica com menos margem do que planejou.
O problema de ratear: pedido pequeno e pedido grande
A embalagem cresce de forma desigual com o tamanho do pedido, e o rateio por marmita é uma média. Com o mesmo exemplo, rateando R$ 2,16 por marmita (4,32 ÷ 2):
| Pedido | Custo real da embalagem | Embalagem embutida | Diferença |
|---|---|---|---|
| 1 marmita | R$ 2,47 | R$ 2,16 | faltam R$ 0,31 |
| 2 marmitas | R$ 4,32 | R$ 4,32 | zero |
| 3 marmitas | R$ 6,17 | R$ 6,48 | sobram R$ 0,31 |
Como ler: uma marmita gasta 0,90 + 0,40 + 0,35 + 0,10 + 0,45 + 0,15 + 0,12 = R$ 2,47; três gastam 3 × 1,85 + 0,62 = R$ 6,17 (R$ 1,85 de peças por marmita, R$ 0,62 de peças por pedido). O rateio acerta o pedido médio e erra para os dois lados.
Como cobrar a embalagem à parte no pede.me?
O pede.me não tem campo próprio de taxa de embalagem. Não há linha "Embalagem" no resumo do pedido, nem configuração para cobrar um valor fixo por pedido a título de embalagem. O que existe são caminhos que se aproximam, cada um com um limite. Escolha olhando para o seu cardápio, não para o que o nome promete.
| Caminho | Como funciona no pede.me | Limite |
|---|---|---|
| Embutir no preço do item | Você ajusta o preço do produto no cardápio, já com a embalagem dentro. | Pedido pequeno subsidia ou é subsidiado, como na tabela acima. Fica invisível para o cliente. |
| Opção "Embalagem" obrigatória | Dentro do produto, um grupo de opções do tipo "Escolher 1", marcado como obrigatório, com uma única opção "Embalagem" e o preço dela. | É por produto: três itens no pedido, três cobranças. A embalagem por pedido (sacola, lacre) não se encaixa. |
| Somar à taxa de entrega | Você acrescenta o custo da embalagem à taxa do bairro ou da distância. | Só vale nos pedidos de entrega. Quem retira não paga, e a embalagem fica sem cobertura nesse pedido. |
| Acréscimo por forma de pagamento | Percentual de 0 a 30% por forma de pagamento, nos itens. | Não serve: depende de como o cliente paga, não de como o pedido sai, e cresce com o valor do pedido. |
Opção de embalagem obrigatória: como montar
O grupo de opções serve para isto, e o servidor confere: se o grupo é obrigatório, o pedido sem a opção marcada é recusado com a mensagem "Selecione" e o nome do grupo. O passo a passo:
- No cardápio, abra o produto e crie um grupo de opções do tipo Escolher 1.
- Dê o nome de "Embalagem" e marque Obrigatório escolher uma opção.
- Cadastre uma única opção, também chamada "Embalagem", com o preço que você quer cobrar.
- Para repetir o grupo nos outros produtos, use a opção de copiar o grupo para todos os produtos do cardápio ou para os outros da mesma categoria, em vez de refazer um por um.
Quanto cobrar? Para só devolver o custo, sem margem, some a taxa de pagamento de 3% (hipotética): para recuperar R$ 2,16 por marmita, o preço é 2,16 ÷ 0,97 = R$ 2,23, arredondado para R$ 2,25. Nos três tamanhos de pedido, cobrando R$ 2,25 por marmita e descontando os 3%:
| Pedido | Cobrado do cliente | Sobra após 3% de taxa | Custo real | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 1 marmita | R$ 2,25 | R$ 2,18 | R$ 2,47 | faltam R$ 0,29 |
| 2 marmitas | R$ 4,50 | R$ 4,37 | R$ 4,32 | sobram R$ 0,05 |
| 3 marmitas | R$ 6,75 | R$ 6,55 | R$ 6,17 | sobram R$ 0,38 |
Os valores arredondam ao centavo. A opção cobre o pedido médio e repete o desequilíbrio do rateio; ganha em mostrar o valor ao cliente.
Somar à taxa de entrega
A saída mais discreta é acrescentar o custo da embalagem à taxa de entrega que o cliente já paga. Com a taxa por bairro ou por distância (veja taxa de entrega por bairro ou por km), some o valor ao de cada faixa. Na retirada no balcão a embalagem não é cobrada, e o custo cai na margem do item.
Por que o acréscimo por forma de pagamento não resolve?
Porque ele muda com a forma de pagamento, e o custo da embalagem muda com o tamanho do pedido. No pede.me, o acréscimo é um percentual de 0 a 30% por forma (dinheiro ou maquininha na entrega), calculado sobre os itens. Duas consequências, ambas contra o uso como taxa de embalagem:
- Quem paga por PIX ou pelo cardápio online não paga. A embalagem sai igual para todos, e a cobrança cairia só em quem usa dinheiro ou maquininha.
- Cresce com o valor do pedido. Um percentual de 3% sobre R$ 36,56 dá R$ 1,10; sobre R$ 100,00, R$ 3,00. A embalagem acompanha o número de peças: um pedido de R$ 100 com um item caro usa quase a mesma embalagem de um pedido de R$ 36. O percentual acompanha o preço, e a embalagem não.
O acréscimo existe para repassar a taxa da forma de pagamento, caso do vale-refeição e da maquininha. A explicação está em vale-refeição no delivery sem prejuízo.
Embutir ou cobrar à parte: qual escolher?
Escolha pelo formato do seu pedido e pelo seu cliente, e faça um teste curto para confirmar. Um roteiro de decisão:
- Pedidos quase sempre de um item só (lanche, pizza, açaí): embutir no preço costuma bastar, porque o custo por item é estável. A conta está em preço de venda no delivery.
- Pedidos com muitos itens e embalagem pesada (marmita para família, kits): a opção "Embalagem" obrigatória acompanha o número de itens, que é o que faz o custo crescer.
- Loja de entrega e retirada: embutir no preço cobre as duas. Somar à taxa de entrega deixa a retirada de fora.
- Embalagem especial e cara (térmica, de presente): se é obrigatória para o produto chegar bem, trate como custo e embuta.
O teste: escolha um formato, rode por 30 dias e compare três números com o mês anterior: pedidos por semana, ticket médio e margem por pedido, depois de custo, taxa e embalagem. Se os pedidos caem mas a margem sobe e o lucro total fica igual ou maior, o formato funcionou. Se os pedidos caem e a margem não cobre a queda, volte. Os números do dia a dia estão em indicadores do delivery: 5 números para olhar.
O que o pede.me faz e não faz com a embalagem?
O que faz:
- Permite ajustar o preço de cada produto, para embutir a embalagem.
- Permite criar grupos de opções com preço e marcá-los como obrigatórios, conferidos no servidor, e copiar o grupo para todos os produtos ou para os da mesma categoria.
- Permite taxa de entrega fixa, por bairro ou por distância, onde o custo da embalagem pode ser somado.
O que não faz:
- Não tem campo próprio de taxa de embalagem, nem linha de embalagem no resumo do pedido.
- Não calcula o custo da embalagem por pedido, não tem ficha técnica nem CMV no produto. A conta deste artigo é feita fora, numa planilha.
- Não controla estoque de pote, sacola ou talher: o estoque do produto (plano Pro) é de produto pronto, não de insumo.
- Não usa o acréscimo por forma de pagamento como taxa de embalagem: ele serve para repassar a taxa do meio de pagamento.
Por onde começar?
- Liste as peças que saem com um pedido típico e anote o custo unitário de cada uma.
- Some por pedido de um, dois e três itens, e acrescente a folga de perda que a sua loja realmente tem.
- Teste a embalagem com o prato mais difícil: vazamento, calor e empilhamento.
- Escolha o formato: embutir no preço, opção obrigatória ou taxa de entrega.
- Refaça o preço com a fórmula por dentro e arredonde para cima.
- Compare 30 dias de pedidos, ticket e margem, e ajuste.
Para montar a sua loja, o plano grátis do pede.me tem link próprio, pedidos sem limite e nenhuma comissão: crie a sua em app.pede.me/signup. Quem vende marmita vê o modelo em cardápio digital para marmitaria.
Perguntas frequentes
Não. O pede.me não tem campo próprio de taxa de embalagem. As saídas que existem são três: embutir o custo no preço dos itens, cadastrar a embalagem como opção com preço dentro de um grupo obrigatório do produto, ou somar o valor à taxa de entrega. Cada uma tem um limite, e todos aparecem na tabela deste artigo.
Não serve. O acréscimo é um percentual de 0 a 30% sobre os itens, ligado a uma forma de pagamento (dinheiro ou maquininha na entrega), e só vale para quem escolhe aquela forma. Quem paga por PIX ou pelo cardápio online não pagaria a embalagem, e o percentual cresce com o valor do pedido, enquanto o custo da embalagem acompanha o número de peças, não o valor.
Liste cada peça que sai com o pedido, anote o custo unitário (valor da compra dividido pela quantidade da caixa) e some por pedido. Depois acrescente uma folga para perda (peça amassada, caixa errada, reposição). No exemplo hipotético do artigo, são R$ 4,32 por pedido de duas marmitas e uma folga de 5% sobre o total mensal.
Depende de quanto o defeito custa. Se a embalagem barata vaza ou deforma e o pedido precisa ser refeito, o custo da reposição entra na conta. No exemplo hipotético, o pote de R$ 1,10 com 4 falhas a cada 100 pedidos custa mais por pedido do que o de R$ 1,50 com 1 falha: R$ 2,30 contra R$ 1,80. Teste com a sua comida e a sua rota antes de comprar em volume.
Não há dado confirmado para afirmar isso nem o contrário. O que a conta mostra é que a cobrança à parte, como opção obrigatória, é cobrada por produto: um pedido com três itens paga três vezes. Faça o teste de 30 dias: compare pedidos e ticket médio antes e depois, e fique com o formato que fecha a sua margem.
Quem retira ainda leva a comida numa embalagem, então o custo existe. Se o valor estiver embutido nos preços dos itens, a retirada o cobre. Se estiver somado à taxa de entrega, a retirada não cobre, porque a taxa de entrega só é cobrada nos pedidos de entrega.