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Frete Grátis no Delivery: A Partir de Quanto Compensa? A Conta do Valor de Corte

O frete grátis acima de um valor tem custo certo (a taxa dos pedidos que já passavam do corte) e ganho incerto (quem completa o carrinho). No exemplo hipotético deste guia, corte em R$ 80 custa R$ 240 por mês e se paga com 12 pedidos novos; corte em R$ 40 custa R$ 1.120.

O que o frete grátis acima de um valor custa de verdade?

Custa a taxa de entrega de todo pedido que passa do corte, e isso inclui os pedidos que já passavam dele antes da regra existir. Esse é o custo certo: acontece sempre, sem depender do comportamento de ninguém. O ganho incerto é o que a regra pode trazer em troca: cliente que completa o carrinho para chegar ao corte e cliente que desistia ao ver a taxa e agora pede.

Este artigo cuida só do corte: onde colocar o valor. Para o custo real da corrida e a escolha entre bairro e km, leia taxa de entrega por bairro ou km. Para as outras táticas de ticket médio, veja como aumentar o ticket médio no delivery sem forçar.

Como o pede.me aplica o frete grátis?

Antes da conta, as regras do produto, para a conta usar o que existe.

  • Onde configurar. Em Configurações, na parte de entrega, o campo "Frete grátis acima de (R$)". Vazio significa que não tem frete grátis. O campo vale no plano grátis.
  • Base de cálculo. O valor dos itens, antes de cupom e antes de crédito de cashback. A comparação é "maior ou igual": pedido de R$ 80 em itens num corte de R$ 80 ganha o frete.
  • Em qualquer bairro e distância. O texto do próprio campo diz: pedido acima desse valor não paga taxa "em qualquer bairro ou distância". Vale com taxa fixa, por bairro ou por distância.
  • Selo no cardápio. Aparece "Frete grátis acima de R$ X" quando a loja faz entrega e o corte está definido.
  • Aviso no checkout. Para quem escolheu entrega, aparece um aviso dizendo quanto falta para a entrega sair grátis, só quando falta até 40% do valor do corte. Acima disso, o aviso não aparece, para não virar ruído.
  • Itens acrescentados depois. Se o pedido ganha itens novos e passa do corte, a entrega zera. A regra nunca volta a cobrar o que já foi zerado.
  • Envio para outras cidades (Pro). Tem um campo próprio de frete grátis, separado deste. Aqui o foco é a entrega local.

O que o pede.me NÃO faz no frete grátis?

  • Frete grátis só em bairro próximo. Não existe. O corte vale para toda a área atendida.
  • Frete grátis só na primeira compra. Não existe. A regra não distingue cliente novo de antigo.
  • Corte sobre o total com desconto. Não. A base são os itens antes de cupom e crédito; quem usa cupom grande ainda ganha o frete se os itens bateram o corte.
  • Taxa parcial. Não. O resultado é taxa cheia ou taxa zero.

A consequência prática: o corte precisa cobrir o pior caso da sua área, o bairro mais distante, porque ele vale para todos.

Como achar o valor de corte olhando a distribuição dos pedidos?

Pegue os pedidos entregues do último mês, separe por faixa de valor dos itens e conte quantos há em cada uma. Depois, para cada corte possível, conte quantos pedidos já estariam acima dele: esses são o custo certo.

Exemplo hipotético: 200 pedidos de entrega em um mês, taxa média cobrada de R$ 8 e margem de contribuição de 35% sobre o valor dos itens (o que sobra depois de insumo, embalagem e taxas; se ainda não sabe a sua, veja preço de venda no delivery com taxa e embalagem).

Faixa de valor dos itensPedidos no mêsParticipação
Até R$ 39,996030%
R$ 40 a R$ 59,997035%
R$ 60 a R$ 79,994020%
R$ 80 ou mais3015%

Agora o custo certo de cada corte candidato, com a taxa de R$ 8 que deixa de ser cobrada:

CortePedidos que já passavamCusto certo por mêsMargem de um pedido novo no corte, após a taxaPedidos novos para empatar
R$ 40140 (70%)R$ 1.120R$ 6187
R$ 6070 (35%)R$ 560R$ 1344
R$ 8030 (15%)R$ 240R$ 2012

Como ler, com o corte de R$ 60 de exemplo:

  • Pedidos que já passavam: 40 + 30 = 70.
  • Custo certo: 70 × R$ 8 = R$ 560.
  • Margem de um pedido novo no corte: 35% de R$ 60 = R$ 21, menos a taxa de R$ 8 que não é cobrada = R$ 13.
  • Pedidos novos para empatar: R$ 560 ÷ R$ 13 = 43,1, ou seja, 44 pedidos.

Os outros cortes seguem a mesma conta: R$ 40 dá 140 × 8 = R$ 1.120 e 0,35 × 40 − 8 = R$ 6, logo 1.120 ÷ 6 = 186,7 (187 pedidos, quase tantos quanto o mês inteiro); R$ 80 dá 30 × 8 = R$ 240 e 0,35 × 80 − 8 = R$ 20, logo 240 ÷ 20 = 12 pedidos, ou 6% dos 200.

A leitura: nesse perfil, o corte baixo é uma doação de taxa a quem já ia pedir. O corte de R$ 80 custa pouco por mês e precisa de poucos pedidos novos para se pagar. Isso não garante que os 12 pedidos apareçam. É a conta de quanto o teste precisa render.

Quem completa o carrinho paga o frete?

Aqui está a parte que costuma ficar escondida. O cliente que sobe o pedido para alcançar o corte deixa de pagar a taxa, e essa taxa passa a ser custo seu também. Cada um que sobe tem um saldo por pessoa:

Venda extra mínima = taxa ÷ margem de contribuição = R$ 8 ÷ 0,35 = R$ 22,86

Quem adiciona menos que R$ 22,86 de itens para chegar ao corte te custa dinheiro: ganhou, de margem, menos do que deixou de cobrar de taxa. Exemplo hipotético com corte de R$ 80: o cliente de R$ 70 que acrescenta uma bebida de R$ 10 gera R$ 3,50 de margem (10 × 0,35) e deixa de pagar R$ 8. O saldo é negativo em R$ 4,50.

Duas conclusões práticas:

  1. Corte colado no ticket atual raramente se paga só com "completar o carrinho". O ganho vem melhor de pedido novo (quem desistia ao ver a taxa) ou de um corte que exija um acréscimo relevante, perto de R$ 23 no exemplo.
  2. O aviso "faltam R$ X" ajuda mais quando falta o valor de um item que a pessoa quer. Se o seu cardápio tem um adicional ou uma sobremesa nessa faixa, o aviso vira sugestão sem precisar forçar nada.

Se o objetivo é só subir o ticket, o frete grátis nem sempre é a melhor ferramenta; veja as outras em como aumentar o ticket médio no delivery sem forçar.

Como definir o corte, passo a passo?

  1. Liste os pedidos de entrega do último mês e o valor dos itens de cada um, sem a taxa.
  2. Monte a tabela de faixas e some a taxa média cobrada.
  3. Calcule o custo certo de 2 ou 3 cortes (pedidos que já passavam × taxa média).
  4. Divida o custo certo pela margem de um pedido no corte (corte × margem − taxa). Esse é o número de pedidos novos que o teste precisa gerar.
  5. Se esse número é maior do que a sua loja receberia de gente nova, suba o corte.

Um ponto de partida é um corte acima da faixa onde está a maior parte dos pedidos, de modo que o custo certo atinja uma minoria. No exemplo, a maioria está entre R$ 40 e R$ 60 e o corte de R$ 80 pega só 15%.

E se a loja atende bairros perto e longe?

Como o frete grátis vale para toda a área, o corte tem de ser pensado para o bairro caro. Exemplo hipotético: taxa de R$ 5 nos bairros próximos e de R$ 14 nos distantes. Um pedido de R$ 80 em itens para o bairro distante custa R$ 14 de taxa abonada, e a margem do pedido (35% de R$ 80 = R$ 28) fica em R$ 14. Para o bairro próximo, o mesmo pedido fica em R$ 23. Nenhuma das duas contas é prejuízo, mas a primeira corta a margem pela metade.

Se isso pesa, existem caminhos dentro do que o produto faz:

  • Subir o corte até o ponto em que o bairro distante ainda deixe margem.
  • Cobrar menos nos bairros próximos e manter a taxa cheia nos distantes. A taxa por bairro está no plano grátis; as taxas por faixa de distância e por km são do Pro.
  • Conferir o pedido mínimo, que é outro campo e vale sobre os itens: pedido mínimo no delivery.
  • Rever o custo do entregador antes de abonar a taxa: motoboy próprio ou terceiro.

Quais as alternativas ao frete grátis?

AlternativaComo funciona no pede.meQuando pode fazer sentido
Taxa reduzidaCadastrar um valor menor nos bairros próximos (taxa por bairro, plano grátis)Quando a corrida curta custa pouco e o cliente próximo compara com a retirada
CupomDesconto em percentual ou em valor, com regras próprias (plano Pro)Para atrair a primeira compra ou reativar quem sumiu, sem abrir mão da taxa de todos
Corte mais altoO mesmo campo, com o valor acima do ticketQuando o custo certo do corte baixo pesa demais
Retirada no balcãoOpção de retirada sem taxa de entregaPara quem mora perto e não precisa do entregador; veja retirada no balcão

O cupom, por exemplo, resolve um problema que o frete grátis não resolve: ele pode ser dado a quem você escolhe, enquanto o frete grátis vale para qualquer cliente que bata o valor. As regras de cupom estão em cupom de desconto para restaurante.

Como fazer o teste de 30 dias?

O teste compara o mês com a regra contra o mês anterior, com os mesmos números anotados nos dois.

Antes de ligar (anote do mês anterior):

  1. Pedidos de entrega no mês.
  2. Ticket médio dos itens.
  3. Soma das taxas de entrega arrecadadas.
  4. Quantos pedidos estavam acima do corte que você vai testar.

Durante os 30 dias:

  1. Não mude cupom, preço nem cardápio ao mesmo tempo, senão não dá para saber o que causou o quê.
  2. Anote, por pedido acima do corte, a taxa que seria cobrada.

No fim:

  1. Custo real: soma das taxas abonadas.
  2. Pedidos novos: diferença de pedidos de entrega em relação ao mês anterior, tirando o que pode ter sido sazonalidade (veja o calendário de datas que vendem).
  3. Margem extra: pedidos novos × margem de um pedido no corte, mais a margem de quem acrescentou itens.
  4. Decisão: se a margem extra cobre o custo real, mantenha. Se não, suba o corte em uma faixa e teste mais 30 dias; se continuar não cobrindo, desligue (campo vazio = sem frete grátis).

Os números de acompanhamento estão resumidos em indicadores do delivery: 5 números para olhar.

Por onde começar?

Monte a tabela de faixas com o último mês, calcule o custo certo de dois cortes, escolha o que deixa esse custo numa minoria dos pedidos, cadastre em Configurações, confira o selo no cardápio e rode os 30 dias.

Ainda sem cardápio no ar? Crie o seu em app.pede.me/signup: o plano grátis tem link próprio, pedidos sem limite, sem comissão e o frete grátis acima de um valor incluído. O cupom faz parte do plano Pro; veja em /pro.

Perguntas frequentes

Vale a partir de um valor que fique acima do que a maioria dos seus pedidos já faz, para o custo certo (a taxa dos pedidos que já passavam do corte) ser pequeno. A régua é olhar a distribuição dos pedidos por faixa de valor e contar quantos já estariam acima de cada corte. No exemplo hipotético do artigo, um corte que 15% dos pedidos já alcançam custa R$ 240 por mês; um que 70% alcançam custa R$ 1.120.

A regra soma o valor dos itens, antes de cupom e de crédito de cashback, e compara com o valor que a loja definiu. Se a soma é igual ou maior que o valor, a taxa de entrega vai a zero. Como a comparação é "maior ou igual", um pedido de exatamente R$ 80 em itens ganha o frete num corte de R$ 80.

Não. O campo "Frete grátis acima de" vale para qualquer bairro ou distância atendida pela loja, e não há opção de ligar o benefício só em bairros próximos. Para aproximar o efeito, dá para cadastrar uma taxa menor nos bairros perto (a taxa por bairro está no plano grátis) e manter o corte de frete grátis num valor que cubra o custo dos bairros distantes.

Não. A regra olha apenas o valor dos itens do pedido; ela não distingue cliente novo de cliente antigo. Para atrair a primeira compra, a ferramenta é o cupom, que é do plano Pro (R$ 49,90/mês). O frete grátis acima de um valor, em si, está disponível no plano grátis.

Vê o selo "Frete grátis acima de R$ X" no cardápio e, no checkout de entrega, um aviso dizendo quanto falta para a entrega sair grátis. O aviso só aparece quando falta até 40% do valor do corte; com corte de R$ 80, ele surge a partir de R$ 48 em itens. Quem está muito longe do corte não vê o aviso.

Um ciclo de 30 dias cobre as quatro semanas, com dias fortes e fracos. Anote antes os números do mês anterior (pedidos, ticket médio, taxas arrecadadas) e compare no fim. Se a taxa abonada passou da margem que o corte trouxe, suba o valor ou desligue.

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